Tecnologia para trazer segurança e agilidade

30/03/2011
Com um histórico de 25 anos em marcha lenta, a construção civil brasileira tem o desafio de driblar a escassez de mão de obra qualificada nos canteiros de obras para ter condições de acompanhar o aquecimento do setor nos últimos anos. Para isso, a aposta está voltada para novos sistemas construtivos e tecnologias – tendo em vista a expectativa de permanecer em crescimento pelo menos pelos próximos quatro anos.

Uma série de serviços está sendo automatizada, afirma o engenheiro Rodrigo Fernandes, vice-presidente de Política e Relações de Trabalho do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR). “Anos atrás, era muito barato ter dez pessoas no canteiro. Com melhores salários e condições, fica mais fácil e viável investir em tecnologia, o que não significa necessariamente diminuir a quantidade de pessoas nas obras”. Segundo Fernandes, empresas e entidades do setor, como o próprio Sinduscon, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-PR), têm investido em qualificação, inclusive montando centros nas próprias sedes, o que não acontecia anteriormente.

A maior dificuldade em contratar começou a partir de 2008. Profissionais capacitados para a área da construção civil não fizeram carreira e, desestimulados, seguiram em novas áreas e diferentes profissões. Hoje a experiência é de no máximo 7 anos. Há uma carência principalmente para o serviço de carpintaria, mas nada que a tecnologia não cumpra. Preocupada com a racionalização da obra, a construtora e incorporadora Plaenge Empreendimentos aposta em maior número de estruturas pré-moldadas e grande quantidade de equipamentos, que permitem suprir a falta de mão de obra.

É o que acontece com as escadarias instaladas por meio de gruas nos empreendimentos, destaca o gerente de engenharia da empresa, Frederico José Hofins. Ele cita, ainda, vigas pré-moldados, que são içadas com auxílio de gruas; sistema de formas, que diminuem a necessidade de pessoal; utilização de portas e esquadrias prontas, que não necessitam de pintura antes de serem instaladas; caixas de água e cisternas de fibra de vidro, que dispensam grandes estruturas em concreto, quatro vezes mais ágil; e preferência por kits pré-moldados para instalação hidráulica e elétrica. “Nos últimos três anos investimos cerca de R$ 5 milhões em cada ano em equipamentos avançados. As gruas, um dos maiores investimentos das construtoras, estão cada vez maiores, com mais capacidade de carga, versatilidade de tarefas e segurança, assim como elevadores, que têm baixíssimo risco.”

A utilização de uma máquina desta em uma obra é capaz de substituir o serviço de 15 serventes, comenta um dos diretores da construtora Hugo Peretti, Hugo Peretti Netto. “Sem ela, o que seria erguido e transportado em duas ou três horas, leva um dia inteiro para se realizar”. Estes equipamentos podem ser alugados, como faz a Hugo Peretti, ou próprios das construtoras. “Os custos acabam sendo equivalentes ao de contratação de mão de obra, mas ganhamos em agilidade”, afirma Peretti.

Com crescimento de 6%, Brasil pode ter “apagão de engenheiros”
O Brasil corre o risco de um “apagão de engenheiros”, segundo estudo divulgado na última semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o levantamento, se a previsão de crescimento do país se confirmar em torno de 6%, em média, até 2020, demandará 1,16 milhão de engenheiros – e as faculdades não serão capazes de formar tantos profissionais.

Segundo o estudo do Ipea, em outros dois cenários, com crescimento médio de 2,5% ou 4% do PIB, o mercado daria conta da demanda por profissionais, passando dos atuais 323 mil para no máximo 765 mil graduados. No entanto, a pesquisa leva em conta que “há diversos engenheiros trabalhando em funções que não são de engenharia, principalmente (em áreas) ligadas à administração e economia”, o que seria um problema de difícil resolução no curto prazo. “A situação parece mais crítica no caso (...) das engenharias (...) nos setores de extração mineral (gás e petróleo), construção e infraestrutura”, mostra a análise.

Fonte: Gazeta do Povo

Comentários


Seja o primeiro a comentar.
Comentar

Entre com Facebook

Não tem Facebook?

Entre com seu e-mail e senha