Síndrome do Edifício Doente

31/05/2007

“Tratado há mais de 30 anos na Europa e Estados Unidos, o tema no Brasil é recente, pouco comentado e até confuso.” Desta forma, Fábio Assumpção iniciou sua palestra sobre Síndrome do Edifício Doente – termo que, segundo ele, passou a ser utilizado para definir o conjunto de sintomas agudos que se manifestam em prédios contaminados. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os sintomas mais comuns são dor de cabeça, irritação nos olhos, nariz ou garganta, náusea, fadiga mental e física, que desaparecem tão logo as pessoas deixam o edifício.
Assumpção explicou que há um grupo de doenças que, de forma equivocada, tem sido tratado como SED: a Doença Relacionada ao Edifício, ou DRE, cujos sintomas se mantêm por longos períodos, são diagnosticáveis, crônicos e diretamente relacionados ao ar contaminado (tosse, dor no peito, febre, calafrio e dor muscular). “Um dos exemplos mais conhecidos é a Legionella sp, doença que matou o ex-ministro Sergio Mota.”

No caso da SED, as causas mais freqüentes são ventilação inadequada (52%), contaminação interior (17% - cigarro é o principal vilão), exterior (11%) e microbiológica (0,5%). A maioria dos poluentes, conforme alertou o especialista, vem de fontes internas do prédio, como carpetes, produtos de limpeza, de madeira, dentre outros.

No que se refere à DRE, as bactérias (legionella, por exemplo) pode causar pneumonia, devido à inalação de aerosóis do sistema de refrigeração. “Nos Estados Unidos, de 8 mil a 18 mil pessoas adoecem por ano por conta da bactéria, e a taxa de mortalidade é de 5% a 30%.” Com 45 mil espécies descritas e diversidade em estimada em um milhão, outro grande “produtor de alergia” são os ácaros, que se abrigam em carpetes, cortinas, plantas, almofadas, na pele e nos cabelos.

O grande vilão, no entanto, é o cigarro, cuja fumaça contém mais de quatro mil substâncias, das quais 250 comprovadamente tóxicas ou cancerígenas. No Brasil não há levantamento sobre o assunto, mas dados de problemas resultantes da exposição ao fumo registrados nos EUA são alarmantes - todos em fumantes passivos: 3.400 mortes/ano por câncer; 69 mil mortes/ano por doenças cardíacas; 15 mil crianças hospitalizadas/ano - a grande maioria filhas de pais que fumam longe, e pegam a criança, em seguida, ainda com o cheiro do cigarro no corpo.

Medidas de controle

Para conter os males que a climatização de ambientes representa para a saúde dos trabalhadores (seus principais ocupantes), diversas ações passaram a ser adotadas no País, principalmente após a morte do ministro, quando foi criada a Portaria 3.523/98 – que determina a elaboração de relatório técnico de medidas para identificação, controle e limites de tolerância de poluentes, além da obrigatoriedade do Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). “Os benefícios do Plano são inúmeros, dentre os quais a boa qualidade do ar e a redução no número de doenças.”

Complementando a Portaria, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou, em janeiro de 2003, a Resolução nº 9, que define como ambiente aceitável aquele em que um mínimo de 90% dos ocupantes não apresentem desconforto e sintomas de DRE. Contém, ainda, restrição severa ao uso de cigarro em ambientes de uso público e coletivo (prevista na Lei 2.294/96). A NR 32 reforça as medidas anteriores e estabelece critérios para manutenção de máquinas e equipamentos.

O especialista falou ainda sobre fatores individuais, organizacionais e arquitetônicos da SDE, procedimentos de investigação (conversar com ocupantes, possíveis vias de poluição e fontes de contaminação, e sistema de climatização) e soluções (educação, comunicação, e remoção ou modificação da fonte poluente).

Fonte: Revista Secovi

 
 

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