Fortaleza: Polícia registra 116 roubos a condomínios

09/01/2007

Morar em condomínio, até há pouco tempo, era sinônimo de tranqüilidade e segurança. Era. Os constantes ataques a este tipo de habitação, no ano passado, mostraram que ninguém está mais seguro em Fortaleza. Dados do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM) revelam que foram cometidos 116 roubos a condomínios de janeiro a novembro de 2006. Devido ao aumento neste tipo de ocorrência, o DPM passou a contabilizar, separadamente, os roubos a condomínio desde o segundo semestre de 2005.

Segundo o Sindicato da Habitação do Estado do Ceará (Secovi-CE), existem atualmente cerca de 4,3 mil condomínios em Fortaleza. De acordo com a Polícia, contudo, os criminosos concentram suas ações em uma área específica, formada por bairros de classe média e alta, como o Papicu, a Praia do Futuro, o Meireles e a Cidade 2000.

A grande dificuldade enfrentada pela Polícia é a colaboração dada aos criminosos por funcionários ou moradores dos condomínios. "Não é possível uma pessoa entrar em um condomínio com sistema de alarme e vigias sem ser percebido se não houver alguma ajuda", afirma o delegado titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), Andrade Júnior. Atualmente, a DRF investiga um acusado que pode estar envolvido com diversos furtos e arrombamentos em condomínios do Papicu e bairros vizinhos. Ele atua com outros dois homens e estaria contando com informações privilegiadas.

O inspetor do 15º Distrito Policial (Cidade 2000), Ricardo Carneiro, alerta para o grande número de furtos e arrombamentos praticados pelos próprios funcionários, nas áreas da Cidade 2000 e do Papicu. Segundo ele, não há registros sobre a existência de quadrilhas especializadas neste tipo de crime. Os roubos seriam cometidos por pequenos grupos de, no máximo, três pessoas.

Enquanto novas prisões não ocorrem, a sociedade reage como pode. Há três meses, o Secovi-CE criou o programa "De Olho na Rua", uma ação que visa reduzir a criminalidade na área dos condomínios. Porteiros e zeladores recebem noções de segurança e passam a contar com rádio-comunicadores ligados na freqüência do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops). Os funcionários passam a tornar-se "colaboradores" da ação policial. Quando é notada a presença de pessoas ou veículos suspeitos, a Polícia é acionada até o local. Para o condomínio, o investimento é muito baixo: apenas o valor do aluguel do aparelho de rádio.

De acordo com o coordenador do projeto e vice-presidente do Secovi-Ce, Raimundo Maia, depois da implantação do programa, a mudança tornou-se "visível". "Houve um recuo nos índices de criminalidade. O ambiente ficou mais tranqüilo e as pessoas mais seguras", diz. O projeto "De Olho na Rua" atende 30 condomínios, mas apenas nos bairros do Papicu e do Meireles, tidos como áreas de grande risco de roubos, conforme o Ciops. A ampliação do projeto, segundo Maia, depende da política de segurança adotada pelo novo governo.

Fonte: Jornal O Povo

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