Quanto vale o condomínio ?

19/06/2006
 

Apesar de ser uma prática comum entre síndicos e moradores de edifícios, comparar valores de condomínio não é a melhor alternativa para descobrir se o preço pago é justo ou não. Isso porque cada edifício possui peculiaridades que podem baratear ou encarecer sensivelmente a taxa, sendo que muitas delas não podem ser aplicadas de um prédio para outro.

Qualquer análise séria deve começar pelo número de apartamentos de um edifício. A regra é inversamente proporcional: quanto maior for o número de unidades, menor tende a ser a taxa condominial. De acordo com Jor
ge Damas, da administradora Adville, parte-se do princípio que a mesma conta referente a luz elétrica e portaria 24 horas, por exemplo, será paga tanto por um edifício com 10 apartamentos quanto por um com 50. Com a diferença de que o primeiro vai ter uma conta muito maior.

Outro aspecto é o número de funcionários. Para Maria Cristina Melquíades da Rocha, proprietária da administradora Mineira, portaria 24 horas é um dos principais fatores que agrega valor a taxa. “Se analisarmos o custo total das despesas do condomínio, mais de 50% são do departamento pessoal. E, se o funcionário for antigo, esse valor aumenta ainda mais, já que todo ano ele recebe um acréscimo no salário referente ao anuário”, afirma.

De acordo com Otávio Lopes Filho, vice-presidente da Administração de Condomínios do Secovi, alguns prédios já decidiriam substituir a portaria 24 horas por portaria eletrônica, outros resolveram reduzir o horário para 12 horas. “Ao invés de ser integral, funciona somente durante o dia, com um zelador que faz todos os serviços. É uma maneira de baratear o custo, já que o horário noturno é o mais caro, por causa do adicional que o porteiro recebe, que no final acaba onerando ainda mais para o condomínio”, diz.

A fração ideal do apartamento também pesa na taxa. Ela é considerada, da área total do prédio, a parte de uso comum dos moradores e toda a área privativa, incluindo garagem. “Quem mora na cobertura normalmente paga mais porque a fração ideal da sua área é maior do que dos outros moradores”, explica Lopes Filho. O executivo acrescenta que “ter duas vagas de garagem, ao invés de uma, também aumenta o custo para o morador”.

O padrão do apartamento é outro ponto que deve ser levado em consideração. “Não adianta reclamar que paga mais pelo condomínio se tem à disposição sala de ginástica, salão de festas, piscina e aquecimento central. Há uma despesa extra para a manutenção desses equipamentos e conseqüentemente isso aumenta a taxa”, argumenta Lopes Filho.

Esses cálculos explicam porque muitas vezes apartamentos semelhantes têm valores tão diferentes de condomínio. “Às vezes as pessoas vão morar em imóveis menores com a ilusão de que a taxa de condomínio é mais barata, o que nem sempre é verdade”, diz Jorge Damas, proprietário da Adville.

Fonte: Gazeta do Povo, 18/06/2006


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